segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Poesia, Baralho e Simbologias Nº 1 (O Mago)

Gita
(Raul Seixas)

''Eu que ja andei
Pelos quatro cantos do mundo
Procurando
Foi justamente num sonho
Que ele me falou''

Às vezes você me pergunta
Por que é que sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado

Você pensa em mim todo hora
Me come, me cospe e me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o mêdo de amar

Eu sou o mêdo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou o seu sacrificio
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição

Eu sou a vela que acende
Eu sou a Luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da agua e do ar

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que estou em você
Mas você não está em mim

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra ''A'' tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão

Euuuuuuuuuu!

Mas eu sou o amargo da língua
A mão, o pai e o avô
O filho qua ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio

Euuuu sou o início

O fim e o meio

Euuuu sou o início

O fim e o meio

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